Entre sussurros e silêncios: a história do abuso psicológico
Como palavras e gestos sutis podem deixar marcas profundas, e o caminho para reconstruir segurança e autoestima.
2025.28.05 | André Duarte Cesar de Oliveira RJ
Maria sempre acreditou que podia lidar com tudo sozinha. No início, os comentários eram quase imperceptíveis: uma piada “inocente” aqui, uma crítica sutil ali. Aos poucos, essas pequenas pressões se acumularam. Decisões próprias começaram a parecer erradas, sentimentos de insegurança se tornaram companhia constante, e a dúvida sobre seu próprio valor tomou conta de sua mente.
No dia a dia, o mundo parecia tranquilo para quem olhava de fora, mas dentro dela havia tensão, medo e exaustão emocional. Pequenos gestos que deveriam transmitir apoio ou carinho começaram a ser interpretados com desconfiança, enquanto sombras de ansiedade e culpa se espalhavam silenciosamente. Cada interação se tornava um teste: como agradar, como evitar conflitos, como não perder a própria essência?
O abuso psicológico não deixa marcas visíveis, mas deixa cicatrizes profundas. Ele altera a percepção de si mesmo, gera ansiedade, tristeza, sentimentos de isolamento e, às vezes, até uma sensação de que o corpo e a mente não pertencem mais ao próprio dono. Reconhecer isso é o primeiro passo para mudar a história.
Com o tempo, Maria começou a se reconectar com seus próprios sentimentos, percebendo padrões antigos e formas de autoproteção que antes passavam despercebidas. Aprender a identificar gatilhos, acolher emoções reprimidas, e resgatar sensações de segurança foi um processo gradual, mas transformador. Cada pequena vitória trouxe de volta um pouco da confiança perdida, e com ela, a coragem de se permitir existir plenamente, sem medo ou culpa.
Se você se identifica com essa história, saiba que não precisa enfrentar isso só. Buscar apoio profissional é um ato de coragem e autocuidado. Existem caminhos para compreender os danos do abuso, restabelecer limites, resgatar a autoestima e encontrar novamente equilíbrio emocional. É possível transformar o silêncio e a dor em um espaço de cuidado, crescimento e liberdade interior.
Não espere que o sofrimento se resolva sozinho. Procure ajuda, cuide de si mesmo e permita-se reconstruir sua paz e confiança.